Memória
Por que você lembra da figura e esquece o parágrafo
Num experimento clássico de 1967, pessoas viram 612 imagens uma única vez e reconheceram 98% delas. Com palavras e frases, o acerto ficou perto de 90%.
Por Gabs Resumos18 de outubro de 2026Leitura de 3 min
Quem estuda anatomia já percebeu: depois da prova, você ainda vê a figura do plexo braquial na cabeça, mas não lembra uma linha do parágrafo que a explicava. Isso tem nome na pesquisa de memória: efeito de superioridade da imagem.
O experimento
Em 1967, o psicólogo Roger Shepard mostrou a voluntários centenas de itens, um de cada vez, por cerca de 6 segundos cada. Em uma versão eram palavras soltas; em outra, frases curtas; em outra, imagens, 612 delas. Depois, apresentava pares (um item já visto e um novo) e pedia para apontar qual tinha aparecido antes.
O resultado
Com as imagens, o acerto foi de 98%, depois de ver cada uma uma única vez. Com palavras e frases, o acerto também foi alto, mas menor, perto de 90%.
Teste de duas alternativas. Fonte: Shepard, 1967, nos números citados por Standing, 1973.
Anos depois, Lionel Standing levou a ideia ao extremo: pessoas viram 10 mil imagens em poucos dias e ainda reconheceram a grande maioria. A memória para imagens tem uma capacidade que a memória para texto não tem.
O limite
Reconhecer não é o mesmo que saber explicar. A figura ajuda a lembrar onde fica a estrutura e como ela se parece; o nome, a função e a inervação continuam precisando de texto e de treino. Por isso o que funciona é a figura ao lado do texto, e não no lugar dele.
O que isso muda no seu estudo
- Estude o conceito com a figura na mesma página, sem ficar alternando entre o atlas e o livro.
- Na revisão, olhe a figura e tente dizer o que ela mostra antes de ler o texto.
Os resumos da Gabs são montados assim: o Cinesiologia e Biomecânica tem 121 ilustrações em 73 páginas, cada uma ao lado do conceito que mostra.
Fonte. Shepard, R. N. (1967). Recognition memory for words, sentences, and pictures. Journal of Verbal Learning and Verbal Behavior, 6(1), 156–163. Números citados em Standing, L. (1973). Learning 10,000 pictures. Quarterly Journal of Experimental Psychology, 25(2), 207–222.
Abrir o estudo original ↗ · Standing, 1973 ↗